Sábado.
Onze da noite, marcava o relógio sobre o rack da sala.
A atenção dele na tv fora cortada pelo seu celular tocando.
No Identificador de Chamadas, o número era conhecido.
Após olha-lo, ele joga o celular de lado e continua a olhar a tv, até que o aparelho volta a cortar a sua atenção. Ele o atende.
- Sim.
- Sou eu... preciso falar com você.
- Eu estou no final do filme, esta frio e eu não quero sair.
- Mas... é importante.
- Mas o mocinho vai morrer no final do filme, não posso perder.
- É urgente!
Ele suspira um pouco, fecha o aparelho e enfim, vai ao encontro de sua amiga desesperada.
Chegando na praça em questão, ele a observa, vazia, escura, mal ilimunada por poucos postes.
Sob um dos refletores estava ela, sentada em um banco, sozinha.
Ele se aproxima e se senta ao seu lado, enquanto ela enxuga algumas lagrimas que lhe desciam dos olhos.
- Não diga que você esta chorando porque seu gorro e seu cachecol não estão combinando!
- Não...
- Pois deveria, esta horrivel!
Ela olha para cima, ignorando o que ele disse.
- Ele largou você?
- Pior...
- O que foi?
- Eu o vi beijando outra.
- Bom, o papo foi interessante, vou voltar ao final do filme, aliás, quer um conselho, coma chocolate, ele sempre conforta.
- Só isso?
- Ah sim, desculpe não estar me derretendo em lágrimas, é que eu fiz muito xixi hoje a tarde.
- Você não se importa?
- Deveria?
- Você é meu amigo.
- Não, pseudo-amigo, seus amigos de verdade estão bebendo em algum lugar, com os amigos deles, rindo, gastando e se divertindo.
Ela o olha fixo nos olhos.
- Pra quantos você ligou?
- Três.
- E eu era o único que vim.
- Você é o único que eu posso contar.
- Desde quando? A dois anos atrás eu era apenas um impecilho.
Audrey olha para o chão.
- Sejamos francos, no inicio eu era... útil.
- Como você consegue ser tão frio?
- A vida ensina.
- Você não gostava do Carlos, mas depois começou a acha-lo legal.
- Achar legal não quer dizer que eu confio, e isto estava demorando pra acontecer.
- O que você quer dizer?
- Bom, ele nunca foi confiavel, eu sempre soube.
- E nunca me contou...
- E porque contaria? Aí não teria graça esta nossa noitada fria.
- Cretino.
- Quem me conhece me acha um cretino, quem não me conhece que me compre.
- Mas você sempre foi meu amigo.
- Pseudo-amigo.
- Para!
- Parar porque? Agora que esta ficando bom.
- Você não vê que eu estou sofrendo?
- Eu sim, mas você não vi quando eu sofria.
- Mas...
- Uhum... vejamos... no inicio bom, legal, eu até servia pra alguma coisa, sempre saiamos, sempre me contava tudo, eu era no minimo, confiavel.
- O que você quer dizer?
- Aí conhece alguém, namora e pronto... um conto de fadas se constrói... sem lugar pra terceiros, aliás, outros terceiros sempre teem lugar.
Audrey olha para os lados, ignorando-o.
- Ai o amiguinho viado começa a não servir mais.
- Eu nunca disse nada!
- Bom, mas a selação natural sim... é legal você achar que alguém gosta de você de verdade.
- Eu sempre gostei de você.
- Uma pessoa é livre de preconceitos, aceita tudo, é tudo lindo... mas o povo é burro, ignorante, vivendo de aparências, do que um ou outro podem dizer disso ou daquilo, é o preço que se paga.
- É o preço que você paga não é?
- Sim, mas não sou eu que estou chorando.
- O que você quer dizer?
- Eu? eu nada... só estou me divertindo com a situação.
- Insensivel.
- Uhum... ora Audrey, se você soubesse quanto é bom ver fotos das pessoas que dizem que você é legal, maravilhoso, ótimo nisso e naquilo se divertindo com outras... é uma experiência emocionante, você deveria experimentar.
- Eu não te abandonei!
- Sim... e você sabe disso... é o ciclo da vida... a garotinha conehece o rapaz, se apaixona e abandona tudo, inclusive aqueles que a adoram, sabe, é legal quando esta tudo fresquinho ainda, quando você é util ainda, mas é super interessante quando você é deixado de lado, você passa de cumplice a impecilho.
- Você nunca foi um impecilho.
- Eu sei que sou...
- É o ciclo da vida.
- Exatamente, é maravilhoso quando você fica parado na frente da sua casa, esperando o celular tocar, esperando que alguém te ligue e saia da sua alegria coletiva egoísta, afinal, eu queimo o filme não é?
- Eu nunca disse isso...
- Provavelmente seus novos e melhores amigos sim, ou então, seus novos e melhores amigos tenham feito isso nesse exato momento, afinal, quem perderia um sabadão agitado a noite, pra ouvir o blá blá blá de uma garota sentada numa praça se lamentando o que todo mundo já sabia?
- E porque nunca me contou?
- Não seria tão divertido.
- Você se diverte com a desgraça dos outros.
- Sim, só quando me convém...
- E convém agora?
- Não faça perguntas que você sabe as respostas, afinal, quem esta chorando agora é você.
- Foi um erro ligar pra você.
- Não, pois você sabia que eu viria.
- E porque você veio afinal, pra me tacar na cara que eu tenho que te carregar pra todo lado que eu for?
- Não, um amigo é aquele que você toma cerveja junto, um bom amigo é aquele que faz isso e ainda conversa sobre mulheres e carros, um ótimo amigo não é aquele que você fica 24hrs por dia junto, mas sim aquele que você pode contar quando precisar.
- E eu não sou uma boa amiga?
- Bom, foram dois anos sem sequer uma noticia sua, seu namorado já não me achava util quando finalmente vocês resolveram namorar sério, seus novos amigos não eram "pra mim", fofoquinhas e blá blá blá... tire suas conclusões.
- Eu nunca vi por esse lado
- Eu que sei... bom, eu já vou indo, talvez eu ainda veja a morte do mocinho.
Ele se levanta.
- Mas.. eu preciso de você.
- Sabe, ouvir isso só prova uma coisa.
- O que?
- Que eu sou o melhor... e você sabe disso.
- Sabe, não é atoa que você esta em pleno sabado a noite indo pra casa assistir filme ao inves de estar com amigos.
- Eu não tenho amigos... e é você que está chorando. Se precisar, ligue de novo, mas não quando estiver passando um filme bom na tv. Tente mais três pessoas, talvez alguma delas venha pra terminar de enxugar suas lágrimas, quando o copo estiver vazio, ou se sobrar cinco minutos.
Ele se vira e começa a andar.
Audrey ajeita o cachecol no pescoço e ri de canto de boca.
- Realmente... é só você
O filme já havia acabado.
Voltando da cozinha com uma cerveja em mãos, ele liga a tv, procura em alguns canais até achar alguma inutilidade para assistir.
Duas da manhã, marcava o relógio, e ele ainda olhando fixo, com a cerveja já vazia, o seu celular.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
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2 comentários:
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e realmente a vida eh assim..
soh procuram qdo necessitam smm!
triste neh...
Bjaum Thundeer!
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