terça-feira, 6 de maio de 2008

Revolution. Ep. 4: Cabelos ao Vento.

Andando, sem destino nem rumo, ele tinha em mãos uma garrafa long neck de cerveja, já no final.
Sem pensar em muitas coisas, ele observa, em um poste, um cartaz anunciando uma festa na cidade, e, consigo mesmo, já imaginando todos seus conhecidos nesta festa, cuja qual, não fazia muito seu estilo musical.
Alguns quarteirões a mais, e sem gota alguma de cerveja na garrafa, ele para em frente a uma casa, formalmente chamda de "Albergue", pelos mais intimos moradores de lá.
Percebendo apenas uma luz, proveniente de seu interior, ele olha para os dois lados da deserta rua, e, relutando, sem ser convidado, ele adentra ao local, pois sabia que, apesar de tudo, sempre tivera passagem livre no Albergue.
Ao chegar na porta da cozinha, que dava acesso a garagem do local, ele a observa aberta, e, de costas para a porta, um rapaz com cabelos compridos, camiseta regata branca e bermuda, mexendo em alguma coisa no balcão.
- Gustavo?
O rapaz apenas levanta a cabeça, mas continua dando as costas à porta.
- A quanto tempo hein Ranyel.
- Porque está chorando?
Ele percebeu a voz trêmula do rapaz, que não se movia.
- Vire-se.
O rapaz se virou e demonstrou os olhos marejados a ele e as mãos trêmulas.
- Eu... eu estou ajeitando o liquidificador.
- É, eu também me chateio muito quando o liquidificador quebra, chego a chorar de saudades de quando ele funcionava.
Ranyel se aproxima de Gustavo e fica parado ao seu lado.
- Ela me largou.
- Eu... eu já imaginava.
- Ela era compromissada.
- Eu sei, e também era amnipuladora, falsa, intrigante, mal educada... oh meu Deus, você estava ma namorando!
Gustavo ri um pouco de canto de boca e coça a cabeça.
- Olhe só pra você, uma desonrra a baixa moral, um rockstar com barba por fazer e cabelos enbaraçados...
- Você nunca foi de ter palavras bonitas, não é mesmo.
- Não... e é por isso que eu odeio o convivio com humanos, cachorros não traem.
- Então é assim que você prevê seu futuro?
- Velho, sozinho, com bengala e um cachorro, o plano médico cobre tudo, não preciso de mais nada, afinal, tenho um mp3 no bolso!
Gustavo olha nos olhos de Ranyel e o encara com sentimentos que se misturavam entre ódio e saudades.
- Senti sua falta sabia, seu filho da mãe.
- Faço idéia de quanto.
- Vai começar a jogar na cara também, como fez a Audrey?
- Não, não estou afim de me divertir agora.
Gustavo se vira e vai até a sala da residencia.
Ranyel observa sobre a mesa da sala alguns papéis, partituras de músicas espalhadas por todo o comodo e uma guitarra, colocada ao lado da porta.
Ele se senta no sofá e pega algumas da partituras, e, ao seu lado, um laptop conectado a uma impressora, de onde saiam os papéis.
- Rosalie, Thin Lizzy é meio velho para um... rockstar como você hein.
- Boas músicas nunca são mal vistas.
- Assim como boas pessoas...
- Eu mudei sabia... ela me ensinou muita coisa.
- Ninguém muda, é só um ciclo que demora, mas sempre se repete.
- Quer me ajudar a por ordem nisto tudo?
- E por que não...
- Hoje é sexta, porque não esta na balada com o pessoal?
Ranyel tira o celular do bolso e mostra Gustavo.
- Entendi... e resolveu deixar seu marasmo egoísta da sua casa para me ajudar hoje, porque?
- A cerveja em casa acabou, e o filme de hoje é chato.
- Entendi...
- E porque você está aqui sozinho?
- Porque...
- Porque é melhor uma balada imperdivel do que escutar o blá blá blá de um companheiro de casa que acabou de tomar um chute na bunda, normal.
Gustavo se calou.
- Não ligue, não será primeira nem a ultima vez que isso irá acontecer.
- Ela... ela mentiu pra mim.
- Todo mundo mente... foi melhor assim.
- Você mente?
- Não era eu chorando sobre o liquidificador... eu não minto.
- Você é... feliz?
Ranyel parou de mexer nos papéis e olhou para um pequeno porta retrato sobre o rack da sala, onde estavm os dois e mais três amigos na foto, abraçados.
- Eu tenho um mp3, lembra-se?
- Então você não é.
- É tudo relativo, um dia você está alegre, sorrindo, se divertindo com aqueles que um dia prometeram amizade eterna, no outro você se depara com um bando de pessoas desconhecidas, nós crescemos sabia, namoramos, casamos e um belo dia, o que resta?
- Nada.
- Exato, é como se nunca tivéssemos brincado na rua, dormido juntos, aprendido a beber e a fumar juntos, tudo se torna um egoísmo clássico, ninguém tem mais lugar pra ninguém, é fato.
- É mesmo.
- Não é fácil você ver seus amigos namorando, se casando, tendo filhos e você ficar pra trás, e sabendo que, a maioria deles só esta assim porque você se arriscou em ajudar.
- Você só quer que o mundo te bajule, você é sempre o coitado da história.
- Não, eu só queria um dia poder chegar em uma roda de pessoas que eu vi crescer e não ser ignorado, ou não ser bajulado por pessoas que eu acabei de conheçer e no dia seguinte não ser uma figura inanimada.
A noite fria correu por horas e horas, gotas de água se formavam na janela da sala enquanto os dois tomavam cerveja e organizavam os papéis.
O relógio marcava cinco da manhã.
- Bom, eu vou ir embora, seus papéis estão organizados, eu já aguentei seu blábláblá e, como não faço parte deste local, minha cama me aguarda.
Ranyel se levanta e vai até a porta.
- Espere... apesar se você não ter descencia de dizer palavras confortantes... obrigado por passar a noite aqui.
- Acredite, o prazer foi todo seu.
- Você... me deu apoio.
- Ainda bem, como odeio sexo, não teria como te dar outra coisa.
Gustavo ri um pouco e abraça Ranyel.
- Uma braço está muito bom sabia.
Ele sem ação, passa seus braços pelo corpo de Gustavo também.
- Sabe, esse tipo de atitude não ocorre com frequencia quando seus amigos sabem que você é gay.
- Pare de ser lamentavel Ranyel, isso não significa nada.
- Significava muito sim, até você precisar de um.
- Você é o cara mais desprezivel que eu admiro sabia.
- É melhor você me largar, o que seus amigos vão dizer quando virem isso?
- Eles eu não sei, mais eu vou dizer que era menos que isso que eu precisava e não tive.
- Garoto esperto, esta aprendendo bem, agora me solte, vou queimar seu filme, lembra?
Enquanto Ranyel estava erguendo sua mão para comprimentar Gustavo, em sinal de adeus, ele se esquiva e vai até o quarto, fazendo sinal para que Ranyel o siga.
Gustavo retira o casaco dele e o faz deitar em sua cama.
- O que você esta fazendo?
- Algo que eu jamais deveria ter deixado de fazer.
Gustavo de seita sob o endredom, junto com Ranyel e o abraça.
- Lembra-se de quando faziamos isso?
- Pequenos atos de confiança que se perdem com o tempo...
- Não é facil ser gay não é?
- Não é fácil gostar dos humanos quando você se torna um aninal selvagem para eles.
- Diga-me, você ama alguém?
- Não... eu não me dou a esse luxo mais.
- Você nunca foi um bom mentiroso.
Ranyel se vira e fica cara-a-cara com Gustavo.
- Eu... eu ficava todas as noites vendo as fotos, rezando para que ele tivesse um bom dia, fantasiando coisas belas... uma idiotice.
- Ficava, ou ainda fica?
Ranyel volta aficar de costas para Gustavo, em silêncio.
Gustavo volta a abraça-lo.
Menos de dez minutos depois, Gustavo pega no sono.
Um barulho de chaves na fechadura rompe o silêncio do Albergue, eram os outros moradores que haviam chegado, Gustavo abre os olhos devido ao barulho e percebe que Ranyel já não estava mais lá, preocupado ele se senta na cama.
- A Amanda estava na bala. - Diz um dos companheiros de quarto, chegando visivelmente alcoolizado.
- É mesmo?
- Sim, e estava com o namorado... o oficial.
Gustavo volta a se deitar na cama, colocando sua mão sobre o travesseiro em que Ranyel estava deitado, com um leve sorriso de saudades no rosto, até encontrar, debaixo do travesseiro um papel.

War - Why Can't We be Friends.

Why can't we be friends
I've seen you 'round for a long long time
I remembered you when you drank my wine
Chorus
I've seen you walking down in Chinatown
I called you but you could not look around
Chorus
I paid my money to the welfare line
I see you standing in it every time
Chorus
The color of your skin don't matter to me
As long as we can live in harmony
Chorus
I'd kind of like to be the President
So I can show you how your money's spent
Chorus
Sometimes I don't speak right
But yet I know what I'm talking about
Chorus
I know you're working for the CIA
They wouldn't have you in the Mafi-A.
Chorus

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